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Família

Conflitos de Empresas Familiares

Por | Coaching, Empresas familiares, Família | Nenhum Comentário

 

 

Empresa e família são dois empreendimentos valiosos, porém, se não forem bem conduzidos e administrados, podem gerar graves crises, a ponto de desestabilizar a empresa e/ou a família de maneira drástica e duradoura. O tratamento de conflitos nas empresas familiares abrange desde áreas do conhecimento de gestão empresarial até conhecimentos de psicologia. O profissional chamado a tratar de conflitos de empresas familiares deve estar apto a utilizar técnicas que abrangem um modelo de comunicação e interação interpessoal específico. Utilizo as abordagens da Terapia Familiar Sistêmica e do Coaching corporativo e de relacionamento, além da leitura dos conflitos do ponto de vista psicanalítico.

As características dos vínculos familiares disfuncionais podem indicar dificuldades antes mesmo da família iniciar um projeto empresarial, havendo grande probabilidade de intensificar um conflito já existente. O acréscimo de conflitos quando se planeja uma empresa familiar raramente é levado em consideração durante a estruturação da empresa. A família ou não tem consciência da interferência da complexidade  dos vínculos disfuncionais, ou acredita que vai saber discriminar com destreza os papéis familiares dos papéis profissionais. Entretanto, na prática, vai descobrindo o quanto é difícil manter as fronteiras bem delimitadas entre funções, direitos e deveres, especialmente quando envolve conflitos de hierarquia e abuso de poder entre os seus líderes. Um dos exemplos mais clássicos é a admissão de pessoal sem a competência necessária respeitando apenas o critério de que o funcionário, por ser um membro familiar, já tem o seu direito garantido para assumir determinadas funções.

 

As técnicas de coaching podem ser associadas ao método da terapia familiar sistêmica no tratamento dos vínculos disfuncionais entre as duplas ou subsistemas nas empresas onde trabalham familiares com variados níveis de laço familiar, seja entre irmãos, marido e esposa, pais e filhos, sogro, genro ou nora, ou outras configurações familiares.

A abordagem do coaching e da terapia familiar sistêmica para conflitos em empresas familiares auxilia na  identificação de fatores que levam ao desequilíbrio das relações, ajuda a reduzir o nível elevado de estresse, ajuda a organizar um padrão mais saudável de comunicação, favorece o espírito de cooperação e parceria e estimula o comprometimento de todos os envolvidos com a missão da empresa e com a busca de resultados satisfatórios.

Uma das maiores dificuldades da empresa familiar é o estabelecimento de regras, limites e definição de papéis e competências. As dificuldades de interação e comunicação podem se sobrepor a conflitos anteriores gerando o caos administrativo com a quebra das relações hierárquicas, interrupção no planejamento das metas, perdas concretas dos resultados e rompimento de laços familiares e empresariais dos membros envolvidos no conflito, causando severo prejuízo e intenso desgaste físico e mental a todos.

A abordagem do coaching corporativo permite realinhar os valores e a missão da empresa, o que favorece a reintegração de seus membros, ao passo que a terapia familiar sistêmica visa o tratamento dos vínculos disfuncionais.

 

 


A associação das abordagens da Terapia Familiar Sistêmica ao Coaching Corporativo tem permitido analisar, propor estratégias e obter resultados eficazes na mediação dos conflitos das empresas familiares.


Desenvolver técnicas de interação e diálogo e investir em bons relacionamentos de equipe utilizando os potenciais de comunicação através de um programa de Coaching tem sido uma ótima opção para o crescimento saudável das empresas que querem perpetuar o seu vínculo com a história familiar.

 

 
 

Catarina Rabello

Psicóloga  CRP30103/06

Psicanalista Sedes Sapientiae

Psicoterapeuta de Casais e Famílias na abordagem da Terapia Familiar Sistêmica

COACH Profissional, Pessoal e de Liderança, membro da Sociedade Brasileira de Coaching

 

Consultório São Paulo (Capital) Brasil
contato@psicatarina.com  

(11)970434427

Perdizes: R. Ministro Godói, 1301
Tatuapé: R. Serra de Botucatu, 48

Tatuapé e Perdizes: Terapia de Casal e Família

Por | Abordagem psicanalítica, Dinâmicas disfuncionais, Família, Terapia de Casais Perdizes, Terapia de Casais Tatuapé, Terapia familiar sistêmica | Nenhum Comentário

O que trabalhamos na Terapia de Casal e Família?

Nas psicoterapias de Casais e Famílias os temas trabalhados são aqueles que foram capazes de gerar os grandes nós, crises ou conflitos familiares difíceis de solucionar e que impedem, de alguma forma, o diálogo e o bom crescimento da família. Através da terapia familiar e de casal o psicoterapeuta pode ajudar o casal a identificar quais são os aspectos do relacionamento que podem ser tratados, compreendidos, reintegrados e melhor elaborados. Este processo envolve bastante comprometimento dos participantes e é conduzido pelo terapeuta conforme a sua abordagem teórica.

Utilizo a abordagem psicanalítica, que apóia-se na conceituação de que grande parte dos conflitos de relacionamento têm origem nos conflitos individuais inconscientes mal resolvidos.

A abordagem sistêmica, por outro lado, contribui para a compreensão dos fatores sócio-histórico-culturais que interferem nas transformações da família, nos seus valores, nas interpretações dadas às situações vividas e nas dinâmicas familiares disfuncionais. Todos estes fatores interagem e se reatualizam nas experiências cotidianas da convivência conjugal e na construção de uma nova família.

Desenvolver a sensibilidade da escuta, ser cuidadoso ao se expressar, controlar as reações impulsivas, aprender a conhecer a si mesmo e perceber melhor o outro, são fatores que podem contribuir para uma interação conjugal e familiar com menos estresse e mais equilíbrio emocional, sendo mais fácil conviver com e apesar das diferenças individuais.

A vida em família se descortina em volta de uma mesa, em torno de momentos simples e cotidianos, outros únicos e especiais, porém, todos podem ser guardados em uma memória que preza as transformações da família, suas marcas históricas, suas evoluções e seus conflitos, e que, de uma maneira ou outra, podem encontrar uma resolução na busca do diálogo, como tento expressar no poema “À Mesa”.

 

À Mesa
Catarina Rabello

À mesa um lugar perfeito
Encontro de momentos inesquecíveis
entre uma refeição e outra
Lembranças
Digressão
Debates
Celebração

Em volta da mesa vemos crescer os filhos
Degustamos deliciosos vinhos
Escapamos em sonhos
Refrescamos o afeto
Pomos os pés no chão
Entornamos o caldo
Sentenciamos
Gritamos
Silenciamos
Pontuamos
Revisamos
Rimos
Choramos

Por último
Viramos a mesa
Mesa de cabeça para baixo
Quão importantes os seus pés
Nas estacas do equilíbrio
Quando ao reunirmos à mesa
A busca contínua de um  lugar
Espera incessante a renascer

O Vir a Ser
Ouvir E Ser

Um doce a mais ou sal a menos
Medida exata exercício contínuo
Em busca do limite
Um eterno convite
à individuação

Venha se juntar
ao entardecer
Jogar tanta conversa fora
Que o mundo todo
se surpreenda
A mesa sempre presente
testemunho forte e resiliente

 

 

 

Catarina Rabello
Psicóloga Crp 30103/06
Psicanalista membro efetivo Departamento de Psicanálise Instituto Sedes Sapientiae
Psicoterapeuta de Casais e Famílias
Coach Pessoal, Profissional e de Liderança SBC
Neuroeducadora CEFAC

 

Consultório: São Paulo (Capital)
contato @psicatarina.com
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Tatuapé: R. Serra de Botucatu, 48

Olhar de frente para si mesmo Requer ousadia e serenidade

Por | Cultura, Família, Psicanálise, Reflexões | Nenhum Comentário

Os processos de psicoterapia são compreendidos como processos de autoconhecimento. Entretanto, para quem nunca fez uma terapia, este conceito parece estranho e muito vago. O que seria o autoconhecimento na área psíquica? Segundo a abordagem psicanalítica, o autoconhecimento vai muito além de conhecer as suas emoções e controlá-las quando necessário, implica descobrir sob quais mecanismos inconscientes está regido o seu psiquismo. A partir de um trabalho rigoroso de escuta do discurso do paciente o psicanalista pode ajudá-lo a descobrir as representações simbólicas que são arquivadas no inconsciente e funcionam como as motivações de suas emoções, sentimentos, pensamentos, sonhos e sintomas.

Segundo a teoria freudiana as leis do inconsciente funcionam sob os mecanismos da condensação e do deslocamento, que são mecanismos linguísticos e lógicos que se sobrepõem à logica da consciência, gerando os conteúdos inconscientes, aqueles que foram de certa maneira ocultados  da consciência frente aos limites do mundo interno e externo, às ambivalências e contradições humanas. O inconsciente é uma instância psíquica que nos move frente ao complexo universo dos afetos, desejos, ideais e emoções, e que nos leva a reagir de maneira automática e repetitiva diante das tensões cotidianas.

O sonho foi para Freud o caminho por excelência da descoberta do inconsciente e dos seus mecanismos. Os sonhos para o olhar psicanalítico permitem um acesso a conteúdos reprimidos que aparecem em imagens visuais e linguísticas distorcidas que se configuram nas cenas do sonho, como se o sonho realizasse uma verdadeira produção teatral, porém, com valor de realidade, o real do inconsciente. Tanto os personagens como as situações vividas no sonho têm uma íntima relação com conteúdos simbólicos reprimidos que podem vir a ser interpretados analiticamente, ou seja, fazem parte do funcionamento mental e neurolinguístico que segue uma lógica determinada, a lógica do inconsciente. Estamos, portanto, próximos ao campo da lógica e da linguística no processo analítico do autoconhecimento.

Olhar para si mesmo é um processo ousado? 

Sim, porque implica colocar as certezas a respeito de si mesmo e as suas justificativas em dúvida. Todos nós compomos histórias que nos levam a justificar como somos. A psicanálise permite ao paciente enxergar os pontos cegos na sua maneira de ser e se relacionar. Também permite elaborar psiquicamente as dores que se mantém provocando tristezas, angústias, ansiedades ou sintomas que são, por vezes, incapacitantes.

A iguana verde é um réptil dócil e extremamente tranquilo. É capaz de ficar horas na mesma posição contemplando o ambiente ao seu redor. Ela é mais verde quando jovem e vai mudando de cor conforme a idade até ficar totalmente acinzentada. A iguana sofre transformações com a idade, o que injustamente a leva a ser alvo de exemplos pejorativos no imaginário social quando chamamos alguém de “camaleão”. Na verdade, é saudável que possamos mudar a nossa autoimagem, que possamos reconhecer os efeitos da nossa história nas nossas falhas e possamos ressignificar algumas experiências difíceis, pois este processo pode coincidir com o amadurecimento tão desejado e com um novo olhar para a vida, menos rancoroso, mais paciente, mais esperançoso e mais autoconfiante.

Um projeto de autoconhecimento através da análise exige
serenidade e ousadia, 
persistência, escuta e observação.

 

Catarina Rabello
Psicóloga CRP 30103/06
Atendimento a adultos, adolescentes, casais e famílias
Psicanalista membro efetivo do Departamento de Psicanálise do I. Sedes Sapientiae

Consultório São Paulo
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Os Pais como Espelho e Neurônios-espelho

Por | Família, Neurociências | Nenhum Comentário

O que são neurônios-espelho?

 São aqueles neurônios que nos permitem apreender o mundo pela observação e constitui uma das formas mais simples e eficazes de aprendizado, esta que se dá pelo processo de imitação. Com as crianças menores esse processo de aprendizagem é bem perceptível. A criança utiliza os neurônios-espelho para aprender a assimilar os comportamentos do adulto. Entretanto, quando a criança reproduz um comportamento que é inaceitável para o seu educador e passa a ser repreendida pelo mesmo, não compreende o porquê da repreensão e percebe uma incongruência na pessoa que a educa. Ela descobre precocemente que o adulto nem sempre faz o que ele ensina e isto pode dificultar a aprendizagem dos valores e princípios éticos aos quais está sendo exposta. Esta ambivalência na postura dos adultos pode gerar conflitos intrapsíquicos na criança e confusões nos seus critérios de avaliação entre o certo e o errado, dificultando o seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

Há inúmeros motivos que podem deixar os pais irritados e estressados, porém, os pais que não conseguem controlar a sua agressividade perante os filhos, seja em atos ou em palavras, estão se colocando como um espelho prejudicial à criança. Quando ela expressa e reproduz a agressividade utilizando-se de determinados comportamentos e palavras próprias do adulto, é fácil identificar que houve um aprendizado. Mas o adulto, no papel de educador evita reconhecer a sua função de espelho na formação do psiquismo infantil, porque isto exige necessariamente uma reflexão sobre a sua postura, a forma de se expressar e a necessidade de mudança de atitudes que ele manifesta frente à criança. Os pais e educadores que reconhecem que as crianças tem o adulto como a sua referência máxima e o seu modelo primordial como espelho na formação do psiquismo, desde o início do processo educativo, tendem a desenvolver uma consciência mais plena e a assumir um cuidado maior sobre as suas falas, reações e atitudes frente à criança. Desta forma, podem conduzir melhor a apreensão dos valores éticos e morais, elementos primordiais para uma boa socialização infantil. Estes valores são transmitidos pelas falas, atitudes dos adultos e pelas suas reações emocionais. Devido a estes fatores, fique em alerta: uma criança pode estar aprendendo com você um modelo por vezes incongruente de como se relacionar e se situar no mundo nos momentos de descontrole emocional. 

E quanto à autoestima? Um conceito tão utilizado no cotidiano social, mas as pessoas costumam esquecer que as bases da autoestima e autoimagem formam-se desde a mais tenra infância! A partir de tudo o que a criança ouve e percebe sobre a imagem que os pais e educadores formam sobre ela e expressam em forma de elogios, críticas, repreensões e desabafos quando estão saturados de problemas, ela vai compondo a sua autoimagem porque ela acredita no que é transmitido a ela. É necessário ter mais consciência da função educativa do adulto como um verdadeiro espelho à criança!! 

Se os neurônios-espelho são tão importantes para o aprendizado das funções sociais, a sua deficiência pode causar severos transtornos neste aprendizado. Estudos e pesquisas com crianças portadoras do transtorno do espectro autista indicam que elas podem apresentar deficiência nos neurônios-espelho, o que representa um fator importante no deficit de desenvolvimento
da criança autista para uma interação social de qualidade e aprendizagem por imitação.

 O adulto que tem condições emocionais de oferecer-se como um bom espelho à criança está contribuindo pra ela construir uma autoimagem positiva. Seja um espelho limpo ou um espelho com distorções, a criança assimilará o seu comportamento, aprenderá com o seu exemplo e reproduzirá as condutas que revelam um padrão adulto de ser.

Como assim?? Os valores éticos, as expressões de afeto, os preconceitos, as atitudes agressivas, os humores, as reações negativas, as formas de se relacionar com o outro e com o ambiente são aprendidos pela criança a partir de um modelo oferecido pelo adulto e reproduzido pelos neurônios-espelho?

As neurociências indicam que sim!! E a psicanálise confirma e acrescenta que os traços de memórias inconscientes registrados pela criança ajudam a compor o que se tornará na fase adulta a sua subjetividade.

 

Catarina Rabello
Psicóloga CRP 30103/06
Atendimento a adultos, adolescentes, casais e famílias
Psicanalista membro efetivo do Departamento de Psicanálise do I. Sedes Sapientiae

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Família, estrutura social e escolhas individuais

Por | Família | Nenhum Comentário

A sociedade se compõe de estruturas e mecanismos sociais que regem o seu comportamento ao longo da história. O que permite com que uma estrutura se mantenha firme são os mecanismos de suas engrenagens. E o que vem a ser mecanismos? Tanto na vida social como nas profundezas da vida psíquica  somos movidos por mecanismos. Mecanismos são modos de funcionamento que seguem um padrão, se repetem e podem modificar-se, porém, muito lentamente. Tão lentamente, que parecem imutáveis.

Jon Elster, filósofo e cientista social contemporâneo norueguês tenta explicar os fenômenos sociais através de seus mecanismos e mudanças que envolvem os indivíduos que compõem um determinado grupo, com suas propriedades, suas crenças, seus valores e, consequentemente suas ações.

As estruturas sociais apresentam-se verticalizadas como podemos representá-las metaforicamente semelhantes às múltiplas camadas geológicas de um grande canyon; elas vão se sobrepondo por milhares de anos de tal forma que se torna impossível inverter a ordem das camadas, embora a paisagem possa modificar-se com a ação de fenômenos naturais ou sob a interferência humana.  Jon Elster, teórico preocupado em explicar o fenômeno social,  dá uma atenção especial ao papel das normas e valores que estão na base da motivação, dos interesses e das escolhas individuais, incluindo o papel das emoções. Segundo Elster, as emoções são negligenciadas nas ciências sociais contemporâneas. Mas como incluir as emoções em uma ciência, se emoção é tudo o que se imagina de imprevisível e irracional, e, que, portanto, não pode vir a ser incluído em uma lei científica?

Segundo Elster as emoções podem até incluir algo de racionalidade quando estudamos o que motiva uma pessoa a fazer as escolhas que faz, o que motiva seus interesses e suas condutas O que do social contamina o indivíduo e quais aspectos individuais se fortalecem  na interação grupal? A psicologia de grupos e a psicanálise apresentam elementos teóricos para este debate.

Sem dúvida, a verticalização do social interfere nas escolhas individuais, nos horizontes que podem ser almejados, nos olhares que cada pessoa lança individualmente em relação ao seu projeto de vida e às suas crenças dentro do universo da cultura. Tais horizontes eclodem da inter relação complexa entre o social, o cultural e o individual desde  a estrutura primária micro social que se revela na dinâmica familiar, desde que os seus integrantes comportam uma estrutura comprometida com o macrossocial.

É no seio da família que um indivíduo se constitui como pessoa e cidadão e constrói sua personalidade, seus mecanismos de ação e reação, suas defesas, seus valores e crenças. Estes são  alguns elementos fundamentais que vão permitir com que o indivíduo se insira nas estruturas verticais sociais humanas, com suas hierarquias e relações de poder, que vão organizar suas metas, suas intenções e suas projeções de vida. Um indivíduo resulta desta complexidade de interações e mecanismos que se iniciam desde o momento que um casal espera um bebê. Este, ao nascer já está amparado por uma estrutura macro e microssocial, já ocupa um lugar ideal no imaginário familiar e já carrega os laços e as heranças socioculturais das crenças e valores da família de origem.

Partindo-se das relações familiares, as possibilidades de interação eu/outro estendem-se para o social mais amplo à medida que o indivíduo alcança o amadurecimento físico, biológico, psíquico e social. Se este processo de escolhas individuais que regem os desejos e ações humanas pode ser compreendido de maneira mais ou menos racional, devemos lançar mão também das teorias  do funcionamento mental humano que incluem a interação de dois níveis do pensamento, o consciente e o inconsciente. Os mecanismos inconscientes encontram-se como que submersos, porém compõem a base da estrutura mental do sujeito, o qual, da mesma forma como o fenômeno social, também se apóia nos mecanismos que os sustentam.

Entre a abordagem da psicanálise e a abordagem sistêmica encontramos um ponto em comum: a psicanálise estuda os mecanismos inconscientes do funcionamento mental e a teoria sistêmica familiar estuda os mecanismos que regem os sistemas familiares, porém,  ambas enfocam que a estrutura do ser  está inserida e profundamente marcada pelo seu contexto histórico, social e cultural.

Quando emitimos opiniões, estabelecemos metas, investimos em uma profissão, fazemos escolhas sobre o que vamos adquirir, visualizamos horizontes, sonhamos e lutamos por ideais,  estamos vivenciando algo que é um traço constitucional do humano, ou seja, a capacidade de agir com liberdade e autonomia. Entretanto, se abandonarmos as visões ingênuas de que um indivíduo caminha livre por si mesmo ao longo da vida, faremos parte de um grupo que acredita que somos afetados pelas macro e micro estruturas sociais, como todas as engrenagens e mecanismos de uma enorme máquina, tendo ou não consciência das mesmas. É interessante notarmos que, segundo Jon Elster, a motivação para qualquer ação humana resulta do escalonamento de todos estes níveis de interação, do mais superficial ao mais profundo, do mais biológico e irracional ao que chamamos de inteligência humana racional e vida social.

 

Catarina Rabello
Psicóloga CRP 30103/06
Atendimento a adultos, adolescentes, casais e famílias
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Tatuapé e Perdizes: Terapia de Casal e os espinhos do casamento

Por | Dinâmicas disfuncionais, Família, Psicoterapia, Terapias de Casais | Nenhum Comentário

..………..Em botânica, os espinhos das plantas são os elementos de defesa contra insetos e agressões do ambiente externo. Tanto em botânica como no relacionamento conjugal, maiores serão as defesas quanto maiores forem as probabilidades de ataque…………Em botânica, as defesas são transformações fisiológicas que se mantém permanentes e acabam fazendo parte da estrutura vital. Quanto ao relacionamento conjugal, pode ocorrer algo semelhante…

 

Toda defesa humana supõe um ataque iminente. Como compreender o trabalho da Terapia de Casais:

 

Identificar e modificar a dinâmica de defesa e ataque, no que diz respeito a  ligações simbólicas decorrentes de vários momentos da história conjugal, onde os espinhos foram as defesas necessárias à sobrevivência do casal ou dos parceiros individualmente, representa uma importante função da terapia de casais. 

Entretanto, se os espinhos se mantiveram rígidos,  mesmo na ausência de uma ameaça de ataque iminente, eles se manifestam como armaduras de proteção. Ocorre que prolongam um episódio de crises e conflitos, enrijecem o distanciamento afetivo conjugal,  e submetem o casal a altos níveis de angústia, sofrimento e estresse psicológico.

Na dinâmica de um casal em crise não se sabe mais qual dos dois parceiros assume primeiro a posição de ataque ou defesa agressiva. No interjogo da dinâmica conjugal conflitiva, os parceiros buscam  soluções às vezes de forma não tão consciente para fugir de um profundo sentimento de abandono pelo outro que se distanciou. Os espinhos da relação podem se manifestar de diferentes maneiras e até de maneiras opostas. Podem desenvolver desde a indiferença mútua, pouco contato físico, sexual, afetivo, evitações de diálogos e aproximação cada vez menor, até cultivar o hábito de iniciar brigas homéricas com elevado nível de agressividade e ausência total de diálogo. Tanto o cultivo do silêncio quanto da voz hostil, o grito e falas agressivas e ofensivas com muita frequência, podem transformar a relação em um vínculo patológico e insustentável. O estresse constante e permanente de um casal em crise pode levar a sintomas de depressão, ansiedade, doenças psicossomáticas e outras sintomatologias associadas à tristeza e insatisfação.

Vale a pena tratar as feridas provocadas pelos espinhos de uma convivência dolorosa, de uma relação em crise ou de um relacionamento doentio. A acomodação a uma situação de sofrimento na relação conjugal pode levar a um adoecimento psicológico gradativo e sujeito a sequelas. O atendimento a casais em crise se propõe a resgatar os aspectos saudáveis necessários para que cada parceiro consiga reencontrar-se consigo mesmo e procure soluções mais saudáveis e eficazes para a relação, no intuito de manter a saúde mental individual e conjugal, caso encontrem uma possibilidade de continuidade da relação.

Catarina Rabello
Psicóloga CRP 30103/06
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Subjetividade e Família no filme “Coco”

Por | Família | Nenhum Comentário

Coco é o mais novo filme de animação da Pixar/Disney e é mais do que um presente ao povo mexicano, é uma linda produção que propõe um retorno às raízes culturais e à valorização da história do México, desde o ponto mais íntimo da história de uma família mexicana em seus dias atuais até as marcas transgeracionais familiares e os mitos que orientam as crenças e valores do povo mexicano. Mas este filme não se restringe somente à cultura mexicana no que diz respeito aos conflitos e bloqueios familiares. Pelo contrário, traz à tona a importância da história familiar desde as suas raízes, de uma maneira em que todos nós, ao assistirmos o filme, podemos nos identificar,  deixando claro que as interpretações da história familiar com suas distorções e segredos têm um papel fundamental na construção de valores para as gerações seguintes.

Coco traz à tona a lembrança de um hábito  muito esquecido às gerações atuais, o hábito de contar e ouvir histórias. Esquecemos do benefício fundamental sobre o hábito de contar histórias, e em especial, as histórias sobre os avós, bisavós e tataravós às nossas crianças em plena formação da sua estrutura psíquica. As crianças gostam de ouvir histórias e conseguem identificar-se com os aspectos valorizados dos seus antepassados.

A capacidade de linguagem da criança e suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais necessitam de estímulos importantes para o seu desenvolvimento, permeados por um convívio familiar afetivo através de brincadeiras e atividades lúdicas como ouvir as histórias contadas pelos mais velhos. Porém, com o crescente uso e abuso de recursos tecnológicos por pais e filhos, o hábito de reunir a família para contar histórias foi se perdendo e reduzindo as oportunidades da criança para este tipo de vivência. Ao ouvir histórias a criança pode se identificar com alguns personagens e processar simbolicamente os seus conflitos emocionais, seus medos e inseguranças de maneira lúdica e divertida. Por este motivo, é tão comum as crianças pedirem para ouvir uma determinada história inúmeras vezes, porque através da repetição elas estão processando os seus conteúdos emocionalmente.

Coco estreou no México no final de outubro/2017, próximo à importante data festiva para os mexicanos, o “Dia dos Mortos”. O filme se desenvolve em torno dos enigmas e traumas que envolvem a família de Miguel Rivera, um garoto de 12 anos que deseja ser músico,  mas que sofre todo tipo de proibição para realizar o  seu sonho. Seu tataravô  era músico e desapareceu após ter saído um certo dia levando o seu violão. Miguel visita o cemitério da cidade e encontra-se com uma vida alegre, divertida e colorida de esqueletos que o recebem em clima de festa e se apresentam assim: “Bem -vindo à terra dos seus antepassados, nós somos a sua família”.

O filme Coco expressa de uma maneira muito linda e real os dramas de uma família envoltos por segredos e interpretações distorcidas da história familiar, que são transmitidas transgeracionalmente e movidas por uma lógica predominantemente emocional, colocando a figura do pai e tataravô no lugar de vilão. A interpretação dada pela tataravó ao desaparecimento do marido foi movida por uma profunda mágoa chegando a ser cruel, fazendo com que todos os familiares daquela geração e das seguintes acreditassem de que o seu marido havia simplesmente abandonado a família e deixado a sua filha Coco ainda criança em prol do seu sonho de viver da música. Mas Miguel, o tataraneto de apenas 12 anos, não se contentou com esta explicação rasa dada pela família para a proibição maciça ao seu desejo de tornar-se músico como o tataravô. Sua bisavó Coco já apresentava sinais de Alzheimer e não conseguia ajudá-lo na busca de suas respostas a tanta rejeição familiar à figura do seu pai e ao sonho do bisneto. Miguel precisou pesquisar muito até que encontrou-se com o seu tataravô no mundo dos mortos e conheceu a verdadeira história sobre o seu desaparecimento. O filme apresenta uma complexidade profunda ligada ao conflito familiar, com um grau de relativa dificuldade para a compreensão das crianças menores que possam assisti-lo, pois mistura o mundo dos vivos e dos mortos em uma saga que traz à tona a ambivalência do bem e do mal na realização dos desejos humanos.

Este filme cuidadosamente elaborado a partir da cultura, do folclore, dos mitos e crenças mexicanas sobre o binômio vida e morte, nos traz uma bela representação sobre uma das questões mais essenciais à vida:  Ir em busca do seu sonho, conhecer a verdadeira história dos seus antepassados, elaborar as questões sobre a vida e a morte, construir o seu próprio mito particular e viver com alegria, não é definitivamente uma tarefa fácil!

Coco aponta para inúmeras  questões de vida, como a empatia, as importância das memórias familiares, a violência, a ética, a falta de escrúpulos, as dificuldades de se colocar no mundo com seus sonhos, suas marcas e inseguranças, as dificuldades de lidar com os enigmas da história familiar e seus vieses, ambiguidades e bloqueios e como construir a individualidade e subjetividade em um processo que é nitidamente elaborado a partir das representações simbólicas familiares transgeracionais e culturais, um verdadeiro tratado de terapia familiar sistêmica! Além destes aspectos, o filme faz uma ampla referência à arte mexicana, à sua riqueza nos estilos e expressões musicais, à  importante arte da pintura com Frida Khalo e Diego Rivera, e à riqueza das artes plásticas com os alebrijes e sua simbologia.

O final do filme é fantástico e emocionante e também reforça a importância da memória familiar, com a linda música “Remember”. Vale muito a pena assistir!

 

Catarina Rabello
Psicóloga CRP 30103/06
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